Esta semana aconteceu uma coisa que me apetece partilhar aqui, porque saí completamente da rotina do costume. Organizámos um dia inteiro, com vários oradores e participantes inscritos, para falar não só de mercado e de trabalho, mas também de algo de que se fala menos: o lado pessoal de quem faz este caminho.
Chamámos-lhe "E depois da viragem?". E foi exatamente sobre isso.
Porque é que parámos tudo para isto
Vivemos acelerados. Corremos atrás de objetivos, de resultados, de listas que nunca acabam, e raramente damos a nós próprios a licença de parar para pensar. A ideia deste dia foi precisamente essa: desligarmo-nos, por um momento, da rotina e criar espaço para conversas genuínas.
Não quis um evento de palco, com uns a falar e outros a ouvir em silêncio. Quis um espaço onde se partilhassem experiências, se reconhecessem dificuldades comuns e, acima de tudo, se procurassem soluções em conjunto. Cada orador trouxe a sua visão, mas os participantes também questionaram, contribuíram e partilharam as suas próprias perspetivas. Foi uma conversa, não uma apresentação.
Tocámos em muita coisa ao longo do dia: imobiliário, sim, mas também experiências de vida, método, pessoas, as nossas vulnerabilidades. E foi dessa mistura que nasceu o valor do dia.
A palavra que ficou no ar: consistência
Se tivesse de resumir o dia a uma só ideia, seria esta. Vezes sem conta, de orador para orador e de conversa para conversa, voltámos ao mesmo ponto: o sucesso não acontece por picos. Constrói-se com consistência.
Não é o esforço de um dia que muda alguma coisa, é a disciplina de repetir, dia após dia, aquilo que sabemos que temos de fazer. Um dos participantes resumiu-o de uma forma que me ficou: o empenho, por si só, não chega; é preciso direção, método, objetivos claros e a capacidade de medir o que fazemos. Não viver de picos de resultados, mas procurar a consistência e criar as rotinas que nos levam lá.
A coragem de trocar o certo pelo incerto
Outro tema voltou várias vezes: a coragem de sair da zona de conforto. De trocar o certo pelo incerto e acreditar verdadeiramente naquilo que queremos construir.
É das coisas mais difíceis que há. O conhecido é confortável, mesmo quando já não nos serve. E, no entanto, nenhum crescimento acontece sem essa decisão de dar o passo. Foi bonito ver tanta gente a reconhecer isto em voz alta, porque é uma verdade que costumamos guardar para dentro.
O lado que raramente se mostra: a vulnerabilidade
Houve um momento do dia que surpreendeu muita gente, a mim incluído. A conversa não ficou pela organização, pelo método, pelos números. Foi mais fundo. Falou-se de vulnerabilidade, de sentimento, de erro.
Um participante disse que o dia o fez olhar para os erros que comete, no pessoal e no profissional, não para se culpar, mas como incentivo para melhorar. Outro contou que o momento mais forte foi logo o do início, quando lhe pediram que fechasse os olhos. Esta disponibilidade para mostrar o lado menos polido, o que normalmente escondemos, foi talvez o que tornou o dia mais humano. Aceitar o erro como parte do processo, e não como um fracasso, muda tudo.
O que cada um levou para casa
No fim, pedimos a quem esteve presente que nos dissesse o que levava do dia. As respostas dizem mais sobre o evento do que qualquer resumo que eu pudesse fazer:
"Clareza do caminho que estou a percorrer."
"Vou levar mais ferramentas para ter sucesso na vida."
"Trabalhar sempre em amor."
"Ter mais tempo para o ócio criativo."
"Não diria que passo a olhar de forma diferente, diria melhor, porque o evento tocou em tantos e tão variados pontos."
E uma frase que, para mim, resume a essência de tudo: o sucesso constrói-se diariamente, com conhecimento, coragem, consistência e, sobretudo, com a capacidade de transformar aquilo que aprendemos em ações concretas.
Para terminar
Foi um dia muito positivo, com uma participação excelente e um feedback que superou o que esperávamos. Mas, mais do que os números, o que me fica é a sensação de que valeu mesmo a pena parar.
A essência do evento foi simples: aproveitar o tempo que temos, reunir experiências e conhecimentos diferentes e aprender uns com os outros, para crescermos juntos, no pessoal e no profissional. Num mundo que nos empurra sempre para a frente, dar-nos a nós próprios a licença de parar, pensar e partilhar é, talvez, a decisão mais produtiva que podemos tomar.
A todos os que participaram, oradores e presentes, o meu obrigado. E a quem não pôde estar, fica a certeza de que haverá mais momentos como este. Porque, afinal, a pergunta continua a fazer sentido: e depois da viragem?



















